ESTES CUIDAM DA VOZ 

BONS DE CANTO, RUIM DE BOLA

Em São Paulo, os Meninos Cantores de Viena (que se apresentaram na Candelária, para homenagear os mortos na chacina) jogaram futebol com menores carentes (foto). Perderam de 3 a 0.

Fonte: Jornal O GLOBO.

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OS CUIDADOS DE UMA GRANDE ESTRELA

NOVA YORK - O GLOBO
O público é um crítico cruel?

JULIE - Não se trata disso. Para quem esta assistindo a "Victor/Victoria" hoje, não importa se estive bem ontem.
Se você está fazendo a matinê da quarta-feira, é claro que ter estado ótima na noite de terça não significa coisa alguma. Portanto, a disciplina de manter a interpretação sempre fresca é muito dura. Qualquer um que enfrente a Broadway sabe que é assim e assim é que tem que ser. Essa é a razão porque evito dar entrevistas. Não há nada de estrelismo. Eu simplesmente, preciso poupar a voz
O GLOBO - Como fica sua vida pessoal?
JULIE - A disciplina que acho necessária inclui todos os aspectos de minha vida. Se eu falar demais, ou se falar ao telefone de manhã, à tarde minha voz estará rouca. Mantenho um umidificador permanentemente ligado em meu quarto e outro no camarim. Adoro uma taça de vinho no jantar, porém não bebo nada alcoólico por todos os meses enquanto estiver fazendo o espetáculo.
Tampouco vou a festas ou faço qualquer coisa que me canse.
Não tenho nenhuma vida social. Compreendo que outras pessoas
ajam de forma diferente. Talvez não faça diferença para elas

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MEU DESAFIO É CANTAR COM PERFEIÇÃO

Ainda na ativa aos 68 anos,mezzo soprano espanhola TEREZA BERGANZA se apresentou no Teatro Municipal do Rio de Janeiro.

TEREZA BERGANZA


A senhora que é uma diva reconhecida internacionalmente ainda tem desafios
? Quais?
- Meu desafio é cantar com perfeição o que me proponho a cantar, sempre. E é um desafio e tanto, já que a voz, o instrumento do homem, nem sempre obedece à gente.

Quais são os seus cuidados com a voz?

- Toda a minha vida fui regrada com a minha saúde e, conseqüentemente, com a minha voz. Talvez seja essa a explicação da minha longevidade vocal. Jamais cometi excessos, raramente bebo gelado, jamais forcei a voz com peças que poderiam danificar a emissão e as corda vocais e nunca gritei. É claro que é um exercício constante. O diafragma é músculo, cabe a voc
ê exercitá-lo. E o meu anda muito bem, obrigada.

FONTE- JORNAL O GLOBO

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Entrevista

Sérgio Britto - Ator e Diretor

A Fonoaudiologia na arte de representar

Ator e Diretor que festeja atualmente seus 80 anos de vida e 60 de carreira com o espetáculo “Sérgio 80” declarou em entrevista ao Jornal de Fonoaudiologia.

Em 60 anos de profissão, Sérgio Britto conseguiu o que ele mesmo chama de “equilíbrio” de sua voz. Nesta entrevista ele toma para si a palavra e relata as experiências, o convívio e o aprendizado que a Fonoaudióloga Maria da Glória Beuttenmüller lhe propiciara nos últimos 22 anos de sua carreira.

Hoje, Sérgio Britto entende a voz como doação. “Você doa a sua voz, que tem de sair de um corpo relaxado, de um corpo aberto”, diz o ator que, conhecendo o assunto em pauta, utiliza-se da impostação, do canto e do sussurro para mostrar que os anos de esforço e dedicação deram-lhe o controle de suas cordas vocais.

O papel da respiração na arte de representar é um achado que Sérgio Britto faz questão de socializar, repassando-o sempre que está à frente de algum trabalho.
Respiração é tudo. Esta é a primeira coisa que ensino em qualquer curso de teatro. Para interpretar um personagem, é preciso descobrir a respiração dele, é preciso descobrir a maneira como ele inspira e a maneira como ele expira, falando dos outros e sobre os outros”.

Quando fazia teatro, no início de sua carreira, Sérgio Britto, assim como os outros atores, não tinham o acompanhamento do profissional Fonoaudiólogo. Naquela época, conta, a Fonoaudióloga existia para corrigir ou sanar os problemas na fisiologia do aparelho fonador.

Nos anos 50, começaram a aparecer umas professoras de voz, que pareciam professoras de canto. Faziam os exercícios ao som de um piano. A tendência era o ator ficar com uma voz bem colocada, mas exageradamente impostada, convencional, relembra.

Foi no início dos anos 70, “quando comecei a apresentar alguns problemas de rouquidão”, que Sérgio Britto conheceu Maria da Glória Beuttenmüller. Desde então, sua voz passou por um processo de “reeducação” que dura até os dias atuais.

Um dia Maria da Glória Beuttenmüller foi ver um espetáculo meu e disse:
“Que pena, um homem tão bonito como você, com a voz tão debilitada. E depois, completou: você não olha direito para as pessoas”, conta Sérgio Britto. Segundo ele, essas palavras o fizeram refletir e a procurar a Fonoaudióloga.

Ela me demonstrou que sem olhar direito para as pessoas, eu estaria gastando a minha voz, porque a voz sem direção corre o perigo de enrouquecer. Foi nesse momento que comecei a me reeducar.

Vilão – Os exercícios de voz e o acompanhamento constante da Fonoaudióloga conseguiram solucionar os problemas de Sérgio Britto, no palco. “Mas quando eu saía, a rouquidão voltava.Isto porque o problema era mais sério: tinha origem nos cinco maços de cigarros que o ator consumia diariamente.
“Tive de me submeter a uma cirurgia de raspagem das cordas vocais”, conta. Após a cirurgia, Sérgio Britto ficou calado, por orientação médica, até a hora de voltar a apresentar. “Isto foi um erro, pois quando eu quis falar, depois de dois dias, não saiu voz nenhuma.”E foi a Glorinha Beuttenmüller que o socorreu, submetendo-o a exercícios especiais.

Dez anos depois, Sérgio Britto submeteu-se a outra cirurgia. Segundo ele, o médico já havia lhe avisado. “Ele disse que eu tinha fumado demais, e que aquele excesso de cigarros havia alterado a textura de minhas cordas vocais”. Segundo o ator, sua voz tem hoje uma rouquidão natural, que nunca passou por causa do cigarro.
- Além de ter uma boa Fonoaudióloga, a pessoa que quer usar sua voz de maneira perfeita, que tem respeito pela sua voz, não deve fumar, aconselha Sérgio Britto

Diferenças - Para ele a importância da Fonoaudióloga para o ator que faz teatro e para o ator que faz televisão pode não ser a mesma, mas ela existe.

Eu acho que a necessidade é um pouco diferente, mas é a mesma necessidade. Às vezes, a gente pensa que o teatro cansa mais as cordas vocais, mas isso pode não ser verdade. Na televisão a gente fala mais baixo porque tem o microfone ali perto, mas isso também pode causar problemas. Ao falar muito baixo, você pode ir trancando sua voz nas cordas vocais. E há outras dificuldades, pois as nuances em uma voz baixa são mais detalhadas, avalia o ator.

Acompanhamento – Quando fez O Cortiço contou com o acompanhamento permanente da Fonoaudióloga Glória Beuttenmüller, que “descobriu uma maneira de fazer o sotaque português para os atores”. Deste acompanhamento Sérgio Britto não abriu mão. “É fantástico. A cada momento ela descobria um novo exercício, uma nova forma de se trabalhar a voz”, finaliza o ator.

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Rouquidão em Mulheres Fumantes


JORNAL O CLOBO – Medicina
-Qual é o seu problema?


Pergunta de um leitor:
Pesquisando a causa de uma antiga rouquidão de minha mãe, o médico disse que ela tem edema de Reinke. O que é edema de Reinke, porque ele causa rouquidão e o que deve ser feito para que voz volte a ser como era antes?

Resposta:

Cordas Vocais

As pregas vocais (cordas vocais) são duas pregas membranosas elásticas, que vibram com o impacto produzido pela passagem do ar pelas vias aéreas. Esse fenômeno é semelhante ao que ocorre com as cordas de um instrumento musical (um violão, como por exemplo), que igualmente vibram quando dedilhadas. Ao percutimos com os dedos duas cordas de diferentes diâmetros, feitas de um mesmo material, com igual comprimento e submetidas a uma mesma tensão, verificaremos que a corda mais grossa produzirá um som mais grave do que a fina, e esta um som mais agudo do que aquela. Esta propriedade física permite explicar a origem da rouquidão em portadores de edema de Reinke (de Friedrich B. Reinke, anatomista alemão 1862-1919)
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Edema de Reinke

Esta doença é um processo inflamatório, de caráter benigno, que atinge as cordas vocais (uma ou ambas); o tecido mucoso que as reveste sofre uma infiltração edematosa (inchação), de modo que elas ficam mais espessas e geram rouquidão duradoura. Mulheres entre 40 e 60 anos, fumantes e que costumam falar demais são especialmente propensas a desenvolve-la; exposição à fumaça rica em monóxido de carbono é outro fator causal importante. Qualquer rouquidão que perdure por mais de 15 dias não deve ser negligenciada e requer avaliação otorrinolaringológica cuidadosa, pois inúmeras doenças causam rouquidão, desde simples pólipos de corda vocal e laringites agudas até tumores malignos da laringe. O exame mais conhecido atualmente é a vídeolaringoscopia (do grego lárynx = laringe + skopéo = eu olho) que, embora simples e de fácil realização, é muito elucidativo, pois permite ao cliente e ao médico, observarem juntos através de um monitor de televisão a problemática existente nas cordas vocais.

Terapia
Repouso vocal, abolição do fumo e de bebidas alcoólicas, redução de condimentos irritantes na dieta (mostarda, catchup...) são medidas simples, mas que contribuem bastante para a melhora da voz; em certos casos, porém, somente uma delicada microcirurgia trará benefícios significativos.

Jornal O Globo - Medicina - Qual é o seu problema.

 

 

         

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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