ENSINA-ME A VIVER

hhhSORAYA RAVENLE
hhhAtriz e Cantora

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hhhCom muito prazer que apresento a crônica hda excelente cantora e atriz Soraya Ravenle em homenagem à minha amiga e Mestra Glorinha Beuttenmüller.
hhhAos 89 anos ela continua lotando suas turmas na faculdade de teatro da CAL. Seus ensinamentos são sempre criativos e inteligentes encantando a todos alunos, artistas já consagrados pelo público e os novatos.
hhhPARABÉNS Glorinha.  E muito obrigado por tudo que me ensinou e as oportunidades que me concedeu para o meu crescimento profissional. Beijo carinhoso Marília
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CRÔNICA PUBLICADA NA REVISTA DE DOMINGO DO JORNAL O GLOBO DO DIA 29 DE JUNHO DE 2014

 

COLUNISTA CONVIDADA

SORAYA RAVENLE
hhhAtriz e Cantora

Soraya Ravenle é atriz e cantora e está no musical infantil  "Lili, uma história de circo"

SORAYA RAVENLE
"Quem esteve diante dos ensinamentos da Glorinha aprendeu que é preciso saber sentir, e sentir o corpo como uma escultura sonora"

 

Ensina-me a viver

hhhPolissemia: palavras que têm a mesma sonoridade, mas imagens diferentes. Exemplo "É uma glória para qualquer ator fazer aula com Maria da Glória, conhecida como Glorinha Beuttenmuller na CAL da Glória."


Quem passou por ela sabe. Quem já foi salvo antes de entrar em cena, achando que estava afônico, também sabe - não vivi isso, mas já presenciei! Sabe que não é balela o abraço sonoro. Não é balela que falamos com o corpo inteiro e que regiões emocionais se espalham por ele. Que nunca falamos com palavras isoladas.


Na verdade, existe sempre uma montagem vocal das tônicas que formam a imagem, a tal da "gestalt".


Que o ator é fundamental gostar de gente! Que palco e platéia se configuram num espaço só, e a nossa fala não é algo nosso, mas sim, para o outro: voz é propriedade de quem nos escuta!


Quem esteve diante dos ensinamentos da Glorinha aprendeu que é preciso saber pelo sentir, e sentir o corpo como uma escultura sonora: presente, passado e futuro. E também sabe que o grito não passa de uma voz sem razão, e, como palavras, o vento leva: atores, gritem na direção do vento! Sabe que as orelhas tem a forma de duas interrogações (como a gente não percebeu isso antes?) e, por isso, estamos sempre a perguntar e a duvidar! Ah, mais uma questão importante: cada espaço tem o seu núcleo sonoro.


Cruzando os pontos mais altos e mais baixos do espaço encontraremos o seu núcleo, e a nossa voz alcançará a todos.


Ela diz "Tensão é a espera de uma realização." Claro que somos todos tensos, hoje em dia então...Mas é preciso ser com cautela.


Glorinha tem a capacidade de fazer um raio X, colocar o dedo na ferida, desnudar rapidamente uma pessoa através de sua voz.


Ainda bem que tamanha capacidade esteve sempre à mercê da sua generosidade e prazer em ensinar e ajudar. Fica claro, enfim que é verdade quando ela afirma: "Não ensino a falar, mas a viver!"


Meu encontro com Glorinha está sendo na graduação da CAL, numa turma de profissionais calejados, que saem das aulas boquiabertos com essa mulher de quase 89 anos, generosa em nos ofertar sua alegria contagiante.


Imaginem que para mim - que canto para viver e vivo para cantar, como ensina o samba de João Nogueira e Paulo César Pinheiro - esse encontro é beber de fonte sagrada, é ganhar bagagem para o resto da vida. Obrigada, muito obrigada, Glorinha!

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Soraya Ravenle está no musical infantil  "Lili, uma história de circo"

 

 

         

 

 

 

 

 

 

 

 

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